Eles são casados, mas não são cúmplices

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Texto da Psicóloga Ivonete Rosa | @ivoneterosa.escritora

Eles são casados, mas não são cúmplices

Essa é uma realidade nada romântica, porém, muito comum. Existem casais que dividem a casa, o cotidiano e, a cama, mas são estranhos no quesito cumplicidade. Entre eles não há compartilhamentos de segredos, de medos, tampouco de sonhos porque não percebem o parceiro como alguém confiável. Sendo mais específica, muitas pessoas carregam a sensação de estar dormindo com o inimigo. É triste, mas acontece.

São parcerias nas quais os envolvidos não vivenciam a graça e a riqueza de ter, de fato, um ombro amigo à disposição sob o mesmo teto. O ressentimento e a desconfiança ditam as regras da convivência.

Imagine a sensação de sentir-se angustiada mas não ter a segurança de compartilhar isso com o próprio cônjuge? E a decepção de perceber o parceiro tripudiando em cima daquele desabafo tão doloroso, que você fez aos prantos? E o hábito de omitir informações financeiras um do outro (esconder dinheiro, comprar escondido, mentir sobre algum ganho etc.)? Lamentavelmente, isso é mais comum do que se imagina.

Muitos casamentos são um verdadeiro cárcere para as emoções dos envolvidos. Muitos deles duram muito, comemoram, inclusive, bodas de ouro. É que a nossa sociedade insiste em chamar de “casamento que deu certo” aquele que dura muito tempo, a qualidade do vínculo não vem ao caso. Se a pessoa estiver com uma aliança no dedo e com o status de casada, está tudo nos conformes. Pouco importa se está infeliz, amargurada, desrespeitada ou mesmo sofrendo violência física.

Em contrapartida, muitas pessoas que decidem se separar por identificarem, no casamento, as raízes de seus adoecimentos são criticadas e julgadas da pior forma possível pelo seu meio social e familiar. Esse receio do julgamento ainda aprisiona muitos casais em relacionamentos destrutivos.

Como ter saúde emocional, ou mesmo física, ao lado de alguém que só sabe criticar, que não respeita, que não dá afeto, que maltrata, que não se importa? Diante disso, há casos em que a separação chega a ser uma questão de resgate da própria saúde.

Eu cheguei num ponto em que só vejo sentido num relacionamento se ele fizer a minha vida melhor do que ela já é, do contrário, nem passe na minha calçada.

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