Desistir também é atitude de gente forte

 In Comportamento, Motivação, Reflexão/Espiritualidade
Texto de Ivonete Rosa

Desistir também é atitude de gente forte

No geral, o verbo desistir é mal interpretado em nosso cotidiano. Isso porque ele sugere a ideia fraqueza e fracasso à pessoa que desistiu de algo ou alguém, como se fosse oposto de prosseguir ou persistir. Precisamos de cautela e empatia ao ouvirmos um indivíduo falar de suas desistências. Vale considerar a possibilidade de aquela desistência pode ter sido um grande ato de bravura.

Nem sempre quem desiste, fracassa. Desistência também é sabedoria. Por trás de muitas desistências há muito de altruísmo, tentativa de resgatar-se, e um desejo genuíno de ser feliz.

A jovem mulher que desistiu de uma carreira profissional para dedicar-se ao casamento e aos filhos, não pode ser vista como uma fracassada e, sim, como uma pessoa altamente altruísta, capaz de anular alguns de seus sonhos para dar o que tem de melhor à sua família.

E o que dizer da mulher que optou por desistir de um casamento que a transformou numa morta-viva? Talvez o seu meio social a julgue como aquela que fracassou no casamento, ao passo que desistir daquela relação foi seu maior ato de coragem. Ao dizer “não” a uma relação infeliz, ela disse “sim” para reescrever a própria história.

Desistir, de algo ou de alguém, nunca foi fácil e nunca será. Por mais aversivo que seja o contexto, o indivíduo percebe-se preso ali, como uma aranha na teia. Recomeçar é assombroso porque muitas vezes, estamos vulneráveis, sozinhos, sem apoio e socialmente “apedrejados”.

Somente os fortes conseguem desistir daquilo que os prejudica. Desistir de um grande amor ao perceber tantas incompatibilidades; desistir dos vícios nocivos; desistir da preguiça de se exercitar; desistir de se esconder à sombra de alguém. São tantas desistências heroicas, né?

As desistências nos salvam, assim como as nossas escolhas. Enquanto estamos vivos, podemos nos perder e nos encontrar nesse emaranhado de escolhas e desistências, isso é maravilhoso.

Há casos em que o divisor de águas é a desistência, porque ela nos abre espaço para as infinitas possibilidades.

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