O orgulho e a solidão: uma relação bem íntima

 In Comportamento, Reflexão/Espiritualidade
Texto de Ivonete Rosa

O orgulho e a solidão: uma relação bem íntima

A solidão é uma realidade que anda na contramão da atualidade, visto que o mundo está cada vez mais populoso. É tão estranho isso, as cidades superlotadas, os condomínios cheios de moradores e, as pessoas cada vez mais sozinhas.  É complicado compreender que apenas uma parede te separa do vizinho ao lado, e no entanto, vocês não se conhecem. O vínculo entre vocês se resumem a um “bom dia” superficial dentro do elevador.

Tanta gente ao nosso redor e não podemos contar com ninguém. Ninguém para tomar um café; ninguém para bater na sua porta e oferecer um chazinho caso te escute tossindo; ninguém para propor um revezamento para levarem as crianças à escola, já que são vizinhas e estudam no mesmo colégio.

A autossuficiência tem sido cada vez mais buscada.  As pessoas parecem temer a possibilidade de precisarem de um vizinho ou de um familiar.

Tudo bem, não precisar de ninguém pode até ter um lado bem positivo, talvez a sensação de não incomodar. Entretanto, há um ônus nisso, quando nos apoiamos em nossa autossuficiência, perdemos a oportunidade de construir vínculos. Quando mostramos a nossa fragilidade, damos ao outro a oportunidade de sentir-se útil, e, nessa atmosfera, construímos pontes, ao invés de muros.

Considerando muitas exceções, acredito que a solidão anda de mãos dadas com o orgulho. O orgulhoso percebe como humilhante a ideia de precisar de alguém, e vai se isolando cada vez mais na tentativa de transmitir uma imagem de superioridade, como se receber o auxílio de alguém fosse uma dívida impagável.

É triste tanta gente se esbarrando e ninguém se tocando, ninguém se olhando, ninguém interagindo. Um monte de seres encapuzados, se blindando uns dos outros.

Tanta máscara…tanto vazio. A realidade de cada um, talvez só o travesseiro conheça, encharcado pelas lágrimas, quando a alma se despe do orgulho, da soberba, e das aparências.

O Renato Russo acertou em cheio quando cantou “diga o que disserem, o mal do século é a solidão”.

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