Eu aprendi uma lição com minhas unhas artificiais

 In Comportamento, Psicologia, Reflexão/Espiritualidade
Texto de Ivonete Rosa

Eu aprendi uma lição com minhas unhas artificiais

Um tempo atrás, minhas unhas ficaram quebradiças e frágeis, o que me incomodou bastante.

Como sou muito vaidosa, fui em busca de uma profissional que faz alongamento unhas. Ela colocou sobre as minhas unhas originais, longas unhas de fibra de vidro, o trabalho ficou fenomenal, saí do salão toda deslumbrada, encantada com as minhas mãos.

Minha autoestima foi nas alturas. Acontece que, constantemente, eu me lembrava de que embaixo daquelas unhas glamorosas existia uma realidade nada bonita: as minhas unhas quebradiças e frágeis, adoecidas. Eu alternava euforia e preocupação.

Não faltaram elogios, eu fiquei muito envaidecida. A cada 30 dias eu voltava à profissional para fazer a manutenção das unhas e, inevitavelmente, aquela sensação de estar negligenciando a minha saúde passou a ser mais frequente. Percebi que as novas unhas eram uma máscara que eu usava para ocultar uma realidade que eu não queria enfrentar. As minhas unhas precisavam de um dermatologista, não de uma manicure especializada.

Se as minhas unhas, que sempre foram saudáveis, estavam quebradiças, alguma anormalidade estava acontecendo em meu organismo. Talvez uma alergia ou uma deficiência de algum nutriente. Eu precisava investigar, não recorrer a um recurso estético para maquiar.

Decidi retirar aquelas unhas lindas e falsas, optei por iniciar um tratamento médico que foi caro e exigiu muita paciência, mas o resultado apareceu, minhas unhas ficaram saudáveis novamente.

Aquela experiência me levou a refletir e traçar paralelos com outros contextos. Me fez pensar nas pessoas que estão adoecidas emocionalmente, mas que não buscam um tratamento psicológico e/ou psiquiátrico. Correm de uma psicoterapia como o diabo foge da cruz, elas preferem mascarar suas dificuldades e conflitos com algumas compulsões relacionadas à alimentação, drogas, compras (mesmo sem poder) etc.

Não é fácil encarar algumas realidades, isso requer força, determinação e humildade. Retirar as nossas máscaras, implica coragem para encarar uma realidade nada bonita.  É preciso muita raça para despir-nos diante de nós mesmos. Não me refiro à nudez diante do espelho, mas, sim, da nossa alma e da nossa consciência.

Arrancarmos a máscara do “não tenho tempo” e enfrentar de vez uma situação; tentar entender o que tem por baixo da máscara chamada “é uma crítica construtiva” muito usada para ofender e amarelar o sorriso do outro. Existem máscaras para todos os lados. Especialmente em tempos de boom digital, onde queremos aparecer sempre impecáveis, invejáveis, empáticos, simpáticos, incríveis e surreais.

Eu aceitei que precisava de ajuda, e encarei a situação de frente. Foi algo que me custou caro e exigiu muita paciência, mas valeu a pena. Detalhe: ficou comprovado que as unhas artificiais fragilizaram ainda mais a saúde das minhas unhas originais, ou seja, usei algo para mascarar um problema e acabei agravando a situação.

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