Não adie a felicidade! No futuro, ela não terá graça

 In Comportamento, Destaques
Texto de Ivonete Rosa

Não adie a felicidade! No futuro, ela não terá graça

Ás vezes, eu saio da loja usando roupas e calçados que acabei de comprar. Já recebi olhares de aprovação e de estranheza por me comportar assim. Conforme vou amadurecendo, percebo a importância de não adiar pequenas felicidades. Para mim, é muito simples, se estou com vontade e está dentro das minhas possibilidades, eu me permito saborear as minhas euforias.

Fui criada guardando tudo para depois, para uma ocasião especial, o que me rendeu muitas frustrações. Hoje em dia, faço o contrário do que minha mãe me ensinou nesse quesito, é o meu protesto retroativo. Até os 11 anos, eu morei num sítio, éramos muito pobres, era muito comum eu e minha família usarmos roupas usadas doadas por parentes e desconhecidos.

Certa vez, em meio às peças de roupas que recebemos, havia um vestidinho lindo, de alça, florido, a coisa mais linda. Eu me sentia uma princesa dentro dele, eu tinha 10 anos. Acontece que minha mãe não permitia que eu fosse à escola com ele, nem usasse quando eu queria, era para ser usado quando surgisse uma festa, um casamento, algo assim. Com isso, eu o usei pouquíssimas vezes, pois eu estava em fase de crescimento e logo o vestido não me serviu mais. Eu me encantei tanto com aquela peça que, torcia para amanhecer o dia para eu experimentá-la e me olhar no espelho, na época, não existia energia elétrica no sítio. Aquilo me marcou para sempre.

Eu sou conhecida por minha intensidade, pela forma como eu me entrego ao que me fascina. Há quem me admire por isso e, há quem me considere meio inconsequente, embora, com o convívio, muitos acabam me dando razão e até se inspirando em mim. Inconsequente eu não sou, de forma alguma, apenas me recuso a adiar minha felicidade. Se a vontade surge agora e eu posso materializá-la, por que vou adiá-la? Quem garante que estarei viva em outro momento ou, quem garante que aquela empolgação estará viva ainda?

Já me aconteceu de protelar algumas vontades e, quando eu decidi vivê-las eu percebi que já não tinha mais o mesmo entusiasmo, eu já não era a mesma pessoa que desejou aquilo, foi decepcionante.

Não é justo você se privar de algo que você deseja agora e que está ao seu alcance, pois, se você adia essa experiência, quem vai vivê-la será outra versão sua e, certamente, ela não vai apreciar como você apreciaria agora.

Isso se aplica desde àquele doce que você quer comer e deixa para outro momento, até aquela pessoa que você quer muito se aproximar, mas acaba deixando para quando se sentir ‘pronta’. Você tem que viver um desejo quando ele surge, intenso, lhe enchendo o estômago de borboletas, lhe tirando o ar, do contrário, se esperar muito, vai ser algo semelhante àquele café que esfriou, perdeu o sabor.

A vida é tão breve, tudo se transforma tão rapidamente, não é justo vivermos adiando os nossos sonhos. Percebemos tantas pessoas se matando em função de acumular coisas, ter sucesso, impressionar os outros…competir. Mas, será que essas pessoas estão se agradando? Será que estão se presenteando, de fato?

Pois é, se eu fosse você, pensaria um pouco sobre isso. Viva as suas alegrias agora, não as adie. Namore hoje, demonstre amor e gratidão agora, se declare a alguém o quanto antes, faça aquela viagem, compre aquela roupa, faça a sua alma sorrir, ela merece. A vida não espera.

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